sábado, 20 de fevereiro de 2010

Leonardo - ARTIGO: O TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES

Leonardo Ravanello - Disciplina: Português II

ARTIGO: O TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES

O trânsito da maior cidade do país está se tornando um problema de grandes proporções. O automóvel é um dos principais sonhos de consumo do brasileiro e percebe-se que essa tradição vem se formando há muito tempo, quando foram introduzidas as primeiras grandes montadoras no país. Então desde pequenos os brasileiros aprendem a gostar de carros, essa realidade é tão forte que até mesmo os postos de combustível Ipiranga, em suas campanhas publicitárias, têm como idéia principal a frase “brasileiros são loucos por carros”. Esse desejo fica cada vez maior quando chega à idade de tirar a carteira de motorista, e depois de adulto já é difícil abrir mão desse bem tão valioso e “necessário” no seu dia-a-dia. A região do ABC paulista abriga diversas das gigantes fábricas de automóveis em São Paulo, o que representa uma boa parte da economia nacional, além de gerar muitos empregos para a população. Dessa forma, esse segmento criou uma grande massa de trabalhadores que defende e depende do enorme volume na produção de carros para garantirem seus empregos.
Por outro lado pode-se ver que caso continue assim, o trânsito de São Paulo irá acabar desencadeando desfechos cada vez piores, então aí começam surgir diversos fatores que influenciam ainda mais as pessoas a quererem andar de carro e não através do transporte público. A qualidade do transporte, por exemplo, é um deles. Desde o desconforto do ônibus lotado até a lentidão do trânsito, somando com a violência e falta de respeito de alguns passageiros, chegamos a um resultado favorável à compra de um carro, que sem dúvidas é mais confortável e prático.
Devido ao grande volume de carros em circulação, há alguns meses atrás, numa sexta-feira, dia 9 de maio de 2008, a lentidão do trânsito de São Paulo bateu recorde. A companhia responsável pelo monitoramento do trânsito da maior capital do país, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 266 km de congestionamento nas principais ruas e avenidas da cidade, consolidando o que já era previsto há alguns anos. Por razão do tombamento de um caminhão carregado com toras de madeira, no acesso à rodovia Presidente Dutra (que liga Rio de Janeiro a São Paulo), e por causa de um derramamento de óleo que paralisou a Avenida Giovanni Gronchu, na região Sul de São Paulo, o transito de São Paulo parou completamente.

“Em São Paulo já se discute o dia em que a cidade vai parar e ninguém vai conseguir sair do lugar. Aí vão tentar medidas paliativas de trânsito como viadutos, que não resolvem o problema, e o rodízio, que só resolve se você viajar uma vez por semana” (BUARQUE; Cristovam, Cnt Transporte Atual, ed. 157, Pág.12, 2008)

Para o senador Cristovam Buarque “Está faltando, sobretudo, liderança para convencer a opinião pública de que o orgulho de ter um carro próprio não é uma opção inteligente, porém hoje não há lideres no Brasil, mas sim políticos”. Políticos estes, principalmente candidatos a prefeito de São Paulo, que em períodos pré-eleitorais, como o atual, ficam duas horas em pé dentro do ônibus coletivo e vão à periferia para estudar as necessidades do povo, quase sempre são eficientes no quesito apontar problemas no transporte e prometer soluções, porém depois de eleitos não tem tanta destreza na hora de cumprir o que prometeram.
O sociólogo Cadaval afirma “Fazer promessa é sempre fácil, cumprir é mais difícil. Os municípios têm poucos recursos para investir em vias exclusivas para transporte coletivo, melhorias da frota de ônibus, sistemas de metrô em certos casos são obras caras”. O alto custo das obras é somado com a curta verba destinada para o trânsito, sendo assim, fica mais difícil de encontrar soluções viáveis para o problema.
Segundo sociólogos e especialistas em transporte, essa tendência de o assunto retornar ao foco em época de eleição está relacionada à importância que o cidadão-eleitor dá ao problema dentro de uma escala pessoal de urgências – primeiro o emprego, depois a segurança, a saúde etc. Pesquisas de opinião recentes apontam que trânsito e transporte coletivo estão entre os principais problemas dos grandes centros, mas não são os maiores.
A questão cultural se relaciona com um relato do engenheiro civil, mestrando em engenharia de Transportes do Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia) da Universidade do Rio de Janeiro, Frederico Rodrigues. O engenheiro trabalhou durante alguns anos em Nova York e relatou “Havia na minha empresa uma diretoria que ganhava anualmente US$ 4 milhões e que sempre se deslocava na cidade através do transporte coletivo, questões de mentalidade.”
Segundo Rodrigues “Em muitas situações o itinerário de uma linha de ônibus prevê passagens desnecessárias pelo centro da cidade. Esse trajeto poderia ser otimizado com rotas e estações alternativas de embarque e desembarque. Com essas pequenas intervenções, tenho certeza de que o motorista deixaria o carro na garagem se o transporte coletivo lhe garantisse um sistema mais rápido, seguro e eficiente”. Para o povo de São Paulo mudar, será preciso que o governo mostre ao povo a existência de saídas alternativas para esse problema.
Para a doutora em transportes e diretora da Faculdade de Tecnologia de São Caetano do Sul, Adriane Monteiro, uma das soluções alternativas para o deslocamento de pessoas é a “carona solidária”, prática que já existe no Canadá. Adriane explica: “Um morador passa a dividir o seu veículo com outros vizinhos em escala de revezamento. Se o carro comporta quatro passageiros, são menos quatro veículos em circulação”.
Nos anos 90 o Transporte Solidário existiu em São Paulo, por intermédio de um site da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, onde as pessoas cadastravam-se com dados de origem, destino, horário e até mesmo hábitos, e combinavam caronas regularmente. O sistema chegou a comportar 30 mil cadastros, mas não embalou pela falta de verbas e porque naquela época a internet não era tão popular como é nos dias atuais.
A idéia de outras visões de deslocamento se relaciona com a teoria da deriva de Guy Debord, que defende novos caminhos a serem percorridos, opções alternativas, olhar com outra visão. Para Guy o conceito de deriva é “a afirmação de um comportamento lúdico-construtivo, o que se opõe em todos os aspectos às noções clássicas de viagem e passeio”, isto é, são as mudanças de visão e comportamento de uma pessoa, que se dá pelo observar além do que está à sua frente e se deixar levar por novas formas de observação, ao longo do trajeto que percorre durante o dia. Guy também relata que “Tem-se prosseguido uma sucessão de derivas sem grandes interrupções durante cerca de dois meses, o que supõe trazer novas condições objetivas de comportamento que implicam à desaparição de muitas das antigas.”. As pessoas sonham em entrar no ônibus e ver todos bem acomodados, conversando uns com os outros e podendo olhar realmente ao redor, perceber o quão belo é o caminho que percorrem todo dia ao ir trabalhar, podendo definir um prédio pela sua plástica e não somente pelo seu fator econômico.
Proporcionalmente falando, São Paulo precisa de soluções que sejam tão eficazes quanto a sua extensão geográfica, e nenhuma nova visão será enxergada se cada um não resolver agir, e se nada for oferecido de benefício para a população, provavelmente nada sairá do lugar. Mas sempre é bom pensar positivo, talvez o cidadão vote corretamente, talvez surja um governo que realmente tenha visão para resolver, que tenha a coragem para liderar uma mudança dessa grandeza e que consiga colocar na cabeça dos paulistanos que andar de ônibus também pode ser confortável, seguro e rápido.

DESENVOLVIMENTO: Como base no desenvolvimento deste artigo, tive acesso à revista CNT TRANSPORTE ATUAL, onde considerei várias opiniões de especialistas. Este foi um dos trabalhos em que realmente fui atráz de informações e acabei me interessando muito, e ficando a par do assunto como um todo, tendo uma idéia geral do trânsito no Brasil e no mundo.

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